Mundo Novo

Mundo Novo (2009)

As canções e o respeito no EP de Daca                                                               Por Fábio Bianchini – Jornalista

Daca é um espírito romântico, mas não é bobo. Já aprendeu por aí que esse negócio de “estourar”, basicamente, não rola. Quer dizer, não é que não role, mas é difícil pacas e isso ele já sabe faz tempo. O que levou mais tempo para descobrir é que largar mão e parar com tudo é tão difícil quanto, especialmente quando o cara tem algo a dizer e as canções com que dizê-lo. E sabe: há que se respeitar as canções.

Mundo Novo, seu segundo EP solo da era moderna (voltaremos a isso depois) seria o segundo volume de uma trilogia iniciada em 2006 com Volume Um, mas ele preferiu seguir o ciclo de vida próprio das músicas, que começaram a surgir depois do que era para ser sua despedida. O EP anterior, Volume 1 era meio que para se livrar dessa onda toda de banda. Porque, sabe como são as coisas, chega uma hora que cansa.
Para isso, ele gravou as composições que apresentava ao vivo com sua antiga banda, a Outro Mundo, naquele esquema de só deixar um registro para que elas não se perdessem. Um EP virtual, um site de onde baixá-las e pronto. Mas aí apareceu um “essas músicas estão legais” aqui, um “quem sabe um showzinho” e lá estava o Daca montando sua banda de apoio, Os Faixa-Preta.

E parar com tudo é difícil quando o cara tem algo a dizer e as canções com que dizer esse algo. Talvez por serem obedecidas, elas continuam surgindo, tão e cristalinas que fica difícil de dizer mais do que “canções”, com vocais e guitarras quase simples, elaborados apenas na medida para a cozinha firme e pesada não fazer passar batidas a sutileza das melodias.

“Toma Impulso” e “Mundo Novo” são aquele tipo rock que deveria ser hit de rádio se alguém ainda se interessasse nisso. Mas Daca é um espírito romântico, então o prato principal são as baladas. O inconfundível sotaque beatle de “O Remédio” e “Há Dias” não disfarça as brincadeirinhas nos sons das guitarras e no trombone em “O Remédio”. “Inverno Chuvoso” é curtinha e intensa como a estação desse nome deveria ser. E, certo, é verdade: canções assim a gente respeita com gosto.

Rodrigo Daca: Violões, Guitarras, Voz e Vocais.
Leonardo Kothe: Baixo
Márcio Bicaco: Bateria
Eduardo “Xuxu”: Guitarras