Ímpar

Ímpar (2013)

Guitarras a postos!                                                                                                   Por Lígia Gastaldi – Jornalista

“Impar” é um trabalho de rock’n’roll  puro: sonoridade e letras. Poderíamos chamar de poesia concreta? Talvez… Porque o concreto está em cada historia cantada. São fragmentos da rotina do autor colocada em belos versos que dispensam o refrão repetitivo.

Este é o terceiro trabalho solo do cantor – amparado por sua banda, Os Faixa-Preta – compositor e multi-instrumentista Rodrigo D’Acampora, ou melhor, Daca. E desta vez ele está mais aberto a planos e esperanças. Em “Cecília”, canta o futuro ao lado da filha: “separa um lugarzinho no banco de trás/enfeita o quarto, a sala e a cozinha  pra quando Cecilia chegar”. Em “Me deixa Voar” a liberdade necessária para alimentar a vida: “me deixa voar/tão longe eu possa ir é certo eu vou voltar”.

Daca, chega a este terceiro trabalho solo com maturidade, a voz leve e capacidade de transformar uma noite mal dormida em um sofá, em uma bela música. “Bom Dia” é leve como parece ser sua fase musical: “falta um pouco de calma/ ó meu amor/ um pouco de juízo/paciência é também deixar pra lá/ e não é tão bom não ter pra onde voltar”.

Não é por acaso que recuperou um belo desenho de seu pai, o artista plástico, Mausé, para a capa.  Parece que vem coroar uma corrente de lembranças e influencias que estão no sangue. Nada é por acaso, nada está ali de graça. Um trabalho denso, suave, musical e completo.

Um ciclo que se fecha para começar outro… e como “Eu insisto” sugere: “quero o céu e a terra/ os dois não posso ter/ fecho então os olhos deixo a sorte escolher”.

O disco tem 6 composições de Daca. Foi produzido por ele e por Felipe Melo, no Opa Music. Os arranjos foram todos feitos por Daca e os Faixa-Preta.

Rodrigo Daca: Violões, Guitarras, Ukulele, Voz e Vocais.
Leonardo Kothe: Baixo
Márcio Bicaco: Bateria
Marzio Lenzi: Guitarras
Maurício Peixoto: Guitarra em ‘Novo Dia, Velho Dia’
Léo Meira: Solo em ‘Cecília’